segunda-feira

Acerca da exposição

As imagens são o que são; as palavras também. A poesia, a pintura, a fotografia partem ou acabam de/em emoções. À partida são os sentimentos ou eventualmente um estado de inquietude que desencadeiam a obra, o percurso apela necessariamente ao conhecimento plástico à atitude estética, o ponto de chegada na maioria das vezes permanece como uma miragem, não por ser irreal pois é sentido e constatado, mas principalmente por ser provisório. È no entretanto, no momento contemplativo, que acontece a poesia, ela própria muitas vezes já em curso ou pelo menos latente. A expressão concretiza-se pelo texto, o texto estreita-se no contexto imagético ao mesmo tempo que dele faz parte integrante ou por vezes preservando a sua exterioridade como se de um acetato sobreposto se tratasse.

O espaço comunicacional contemporâneo é multifacetado, com uma esmagadora predominância de imagens e texto em movimento, imagens que narram e texto que ilustra e vice-versa. Na procura de novos significantes, recorrendo a ritmos novos, cadências aceleradas, deliberadamente efémeras, as manifestações artísticas actuais, no espaço público hiper mediático ganham uma nova presença quando se deixam parar e expor à contemplação. Ao assumir esta atitude pretende-se, num movimento de síntese, sublinhar uma espantosa contemporaneidade que uma vez captada na tela (ou no papel) nos dá espaço/tempo para a reflexão. Não se trata tanto de banir o ritmo, a cadência, a dinâmica ou sequer a sonoridade; estes elementos permanecem, evidentemente como produto de síntese, em potência e mutuamente potenciados pela palavra impressa, pela imagem e pela palavra-imagem.

Nota crítica de Paulo Lucas


sexta-feira

A exposição


“Cumplicidades”
APalavra e a Imagem
Sala Zé Penicheiro
CAE – Centro de Artes e Espectáculos
Figueira da Foz
4 a 23 de Setembro de 2007

Autores:
Paulo Jorge Pereira (imagem)
Rosa Maria Ribeiro (textos)

Palavra e imagem

O livro pré-moderno é eminentemente heterogéneo, não há texto sem iluminura ou cercadura. Palavra e imagem comungam do mesmo espaço de visibilidade, partilhando o sistema significante e interagindo na construção de significado.
A descoberta da imprensa e a emergência do livro moderno operou uma separação entre estes dois campos, autonomizando a palavra e homogeneizando o texto, que se impõe como soberano no espaço comunicacional e relega a imagem para uma plano secundário, exterior à textualidade e dependente desta.
O
sistema hiper mediático vem revitalizar esta relação, lançando um sistema significante multifacetado, feito de entrelaçamentos de várias linguagens, nenhuma das quais determinante em relação às outras. Texto e imagem ocupam agora dois campos autónomos, no sentido de que nenhum é subjugado ao outro, mas interagem profundamente, num enriquecimento do campo comunicacional anteriormente impossível, quer pelo enriquecimento individual de cada um (de notar que a imagem num ambiente electrónico reveste-se de todo um mundo de novas potencialidades, quantitativas e qualitativas, que o papel não oferecia, nomeadamente a possibilidade de introdução de movimento através de trechos de vídeo) quer pelo uso em conjunto das duas áreas comunicacionais.

Rute F. Araújo; in http://www.citi.pt/estudos_multi/rute_araujo/texto_imagem.html

domingo

Espero que passes

Espero que passes devagar,
e que pelo canto da alma sintas
que daqui te olho com enlevo.

Foto de Paulo Pereira
Texto de Rosa Maria Ribeiro

segunda-feira

Metade

80x120cm

Mostro metade de mim.
E sei-me inteiro.
E sou ainda o que não mostro.
Tantas vezes o que escondo
!

Fotografia de Paulo Pereira
Texto de Rosa Maria Ribeiro

Leio-te

Sinto-te.
Como quem lê um poema.
Gesto a gesto.
Um dia recitar-te-ei de cor.

Fotografia de Paulo Pereira
Texto de Rosa Maria Ribeiro

Paragem

80x33cm


A paragem urge. O momento é agora.

Fotografia de Paulo Pereira
Texto de Rosa Maria Ribeiro




Silêncio

Tacteio-te no silêncio das palavras que escondes de mim.


Fotografia de Paulo Pereira
Texto de Rosa Maria Ribeiro


Faltas-me

Foto inicial





Soam ainda teus passos.
Anda no ar teu perfume. O teu riso ainda ecoa.
Espreitas-me ainda no último canteiro.

Faltam-me as sombras que me sobram nas memórias

Fotografia de Paulo Pereira
Texto de Rosa Maria Ribeiro

Terra Mãe

Também nas sombras. Também nos sonhos.
Em tudo te embalo e contenho.

Fotografia de Paulo Pereira
Texto de Rosa Maria Ribeiro

Suspeito-te

80x120cm

Suspeito-te. E quase te adivinho.
Pela força dum querer que não imaginava em mim.

Fotografia de Paulo Pereira
Texto de Rosa Maria Ribeiro

Defendo-me

Foto inicial


80x4ocm


Defendo-me.
Armas em riste.
Espero o ataque, pronto para atacar.
Sei que tenho a sobrevivência nas minhas fracas defesas.
Que armo.
Descansarei quando o perigo se for.



Fotografia de Paulo Pereira
Texto de Rosa Maria Ribeiro






Refúgio

80x120cm

Deposito em ti meus anseios.
Não sei doutros refúgios, conheço só teus caminhos

Fotografia de: Paulo Pereira
Texto de: Rosa Maria Ribeiro

Gritar-te-ei!

80x105cm

Gritar-te-ei, mesmo sem voz.
Porque existes, mesmo sem corpo.
Nas memórias que construíste em mim.

Fotografia de: Paulo Pereira
Texto de: Rosa Maria Ribeiro

Como em Barco

80x60cm

Como em barco sem remos,
deixo-me ir á deriva nos pensamentos
que nascem por ti.
Sabem-me a tardes frescas
em tempos de calor.
Assim sacio a sede que te tenho.

Fotografia de: Paulo Pereira
Texto de: Rosa Maria Ribeiro

Dentro de mim

80x120cm

Dentro de mim, guardo medos
guardo sombras.
Escondo-os com mil cuidados,
para que não os guardes também.

Fotografia de: Paulo Pereira
Texto de: Rosa Maria Ribeiro

Abraço

80x70cm

Abraça-me de olhos fechados. Guarda-me na memória dos sentidos"

Fotografia de: Paulo Pereira
Texto de : Rosa Maria Ribeiro